Hoje
1 hora e 43 minutos da madrugada de sexta-feira, dia 09 de dezembro. Nessa mesma hora, na madrugada do dia 10 de dezembro, eu estarei sobrevoando talvez alguma cidade brasileira, talvez alguma parte do oceano Atlântico.
Já tentei escrever tanta coisa a respeito da minha partida, já achei tudo horrível e já deletei tudo. Agora decidi que o que escrever aqui fica.
Quando eu penso que estou deixando família, amigos, uma carreira (não muito promissora, vá lá), a cidade em que sei onde achar o melhor pão do bairro e o pior e mais aguado chopp das redondezas, o país que me ensinou que ter traquejo é útil mas gera mazelas sociais terríveis. Quando eu penso que em muito pouco tempo minha vida mudou tanto. Quando eu penso que tô indo ali casar, viver sem o conforto de tudo que eu conheço, de todos que eu amo por perto e falando outro idioma. Eu penso. E enquanto a ideia de estar ao lado do cara que eu amo me fizer mais feliz do que triste, enquanto o frio na barriga for bom, eu sigo em frente (mas não deixo de olhar pra trás. O futuro é que não pode me amedrontar).
Eu tenho me lembrado com alguma frequência de um trecho do livro “Precisamos falar sobre o Kevin” em que a Eva de Lionel Schriver (já citada aqui no post anterior) compara as viagens que ela fazia ao ataque na escola praticado pelo filho. Todo grande fato é composto de fatos menores. Você traça metas diárias: hoje vou comprar a passagem. Amanhã vou comprar uma mala nova. Hoje vou encher minha mala. Amanhã embarco no avião. Depois de amanhã acordo em outro país.
E, assim, de pequenos fatos se compõe tudo que é grande.
Hoje eu embarco em um avião.
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Eu já pensei em te ligar, já pensei em mandar email e desisto toda vez quando começo a pensar que vou falar e terminar parecendo um amigo que nunca mais vai te ver na vida…rs…é só uma sensação por você estar indo para lá longe e que não vai rolar de te ver no “carnaval do ano que vem”, coisa que era quase certa.
Para que eu não entre numa de despedida melancólica, vou é desejar sorte e amor. Amor pois com ele você vai passando por tudo, mesmo quando muito dificil, de forma mais fácil. E sorte para todo o resto.
Amigos você tem por aqui (e os fará por lá, claro) e darão um jeito de mesmo estando longe, chegar perto.
Beijos, stranger!
Ahhh, mudanças sempre dão um frio na barriga, mas é tão legal descobrir coisas novas! Tenho certeza de que vc vai se sair muito bem na terra da Rainha.. :)
Boa viagem e nos visite em 2012!
Hoje você embarca num avião.
Oi. Só agora vejo seu post. Então estou atrazado. Olha, vivo de viajar . Moro cerca de 4 meses no Brasil e viajo e fico fora o resto. O Brasil tem aquelas coisas que você já sabe. Mas o Mundo Exterior é, de fato, tão organizado por cima quanto morto por baixo.Não se deixe engolir pelas manhas geladas, pela neve, pelos dias cinzentos, pelo vento cortante, não deixe de ir ao cinema toda semana, legal que você aprenda a língua, mas não frequente aqueles trecos que o pessoal acha que são novas descobertas sobre a vida. É falso. O Reino Unido morreu em 1909, e enterrou-se em 1950. Acredite , depois da Dama de erro, trambiqueira feiro Dilma, nunca mais a Inglaterra deixou de descer . Não se deixe enganar pelo Tâmisa. Ele só serve para te levar à FRança , que não serve pra nada. A verdadeira vida na Inglaterra está no litoral. Procura Cornwall ,que o brasileiro conhece como A Cornualha. Navegue pelos canais, onde pessoas usam as terras para plantarem e moram nos bacos . Tire de lá o que não está nas cidades e sim nos interiores .É o que ainda não orreu. E ame. Boa Sorte.